Onda B, C ou BC: o que o comprador precisa saber sobre o papelão antes de aplicar alça

Uma caixa aprovada no desenho pode falhar na linha de expedição por um detalhe que quase nunca aparece no pedido de compra: o tipo de onda do papelão ondulado. O comprador recebe a cotação da cartonagem com “onda B” ou “onda BC”, aprova pelo preço e só descobre o problema quando a alça começa a rasgar o furo, a caixa embarriga no palete ou o lote chega com cantos amassados. Entender os tipos de onda do papelão ondulado é o primeiro passo para especificar uma embalagem que aguente o produto, o empilhamento e o manuseio pela alça.

Este guia não pretende transformar o comprador em engenheiro de embalagem. A ideia é dar o vocabulário mínimo para conversar com a cartonagem e com o fornecedor da alça, fazer as perguntas certas e evitar a troca de onda que parece economia e vira devolução.

O que é a “onda” e por que ela muda tudo

O papelão ondulado é formado por papéis lisos (as capas) colados a um papel ondulado no meio (o miolo). A onda é esse miolo em forma de arco. Duas medidas definem cada tipo: a altura da onda e a quantidade de ondas por metro. Ondas mais altas deixam a chapa mais espessa e rígida, melhorando a resistência ao empilhamento e o amortecimento. Ondas mais baixas e numerosas deixam a superfície mais plana, resistem melhor ao esmagamento da face e aceitam impressão de melhor qualidade.

Os nomes das ondas também são definidos pela terminologia da ABNT para embalagem de papelão ondulado (NBR 5985). As faixas de altura usadas abaixo vêm do informativo técnico do CETEA/ITAL sobre papelão ondulado, uma referência usada pelo setor no Brasil:

  • Onda A: cerca de 100 ondas por metro e altura de 4,0 a 4,8 mm. Boa para amortecimento e empilhamento, mas pouco fabricada hoje.
  • Onda C: cerca de 130 ondas por metro, 3,2 a 3,9 mm. Equilíbrio entre rigidez e resistência ao empilhamento.
  • Onda B: cerca de 150 ondas por metro, 2,4 a 3,1 mm. Superfície mais lisa, vincos bem definidos, comum em caixas de corte e vinco.
  • Onda E: cerca de 300 ondas por metro, 1,2 a 1,7 mm. Usada em embalagens de prateleira com impressão elaborada.

Segundo artigo da EMPAPEL publicado na revista O Papel (junho de 2026), a onda B é hoje a mais produzida no país e a onda C substituiu a antiga onda A em boa parte das aplicações.

Parede simples ou parede dupla (BC)

Quando a cotação diz “onda BC”, ela está descrevendo um papelão de parede dupla: duas camadas onduladas, uma B e uma C, separadas por uma capa intermediária e fechadas por duas capas externas. A espessura fica próxima da soma das duas ondas, e a chapa ganha bastante rigidez e resistência à compressão em relação a uma onda simples.

Na prática, a parede simples (B ou C) atende a maioria das caixas de bens de consumo com peso moderado. A parede dupla entra quando a caixa leva produto pesado, fica muito tempo empilhada, passa por câmara fria ou percorre longas distâncias com vários pontos de transbordo. O custo por caixa sobe, e por isso a escolha deve vir de um cálculo de carga e de ensaio, não de “precaução”.

Como a onda afeta a aplicação da alça

A alça plástica trabalha presa às bordas de um furo na parede da caixa. Toda a carga levantada passa por essa pequena região de papelão. Por isso a onda influencia diretamente o resultado:

  • Espessura da parede: o encaixe da alça precisa ser compatível com a espessura real da chapa. Uma parede dupla é bem mais grossa que uma onda B, e a alça que trava bem numa pode ficar frouxa ou forçada na outra.
  • Esmagamento no furo: ondas baixas (B) resistem melhor ao amassamento da face, enquanto ondas altas cedem mais na borda do furo quando a caixa é erguida com peso.
  • Direção da onda: a posição do furo em relação às ondas muda a resistência da região. Furo e alça devem ser previstos no desenho da faca, e não adaptados depois.
  • Qualidade do corte: rebarbas e furos fora de medida, mais comuns quando a faca está gasta, reduzem a área de apoio da alça.

Quando a carga é alta para a parede escolhida, existe uma alternativa ao aumento de gramatura: reforçar só o ponto crítico. O Reforço Duplo da G Pack é usado com a Alça Flecha e a Alça Flecha Slim justamente para aumentar a capacidade de carga sem mexer no papelão da caixa toda. A Alça Automática pode ser combinada com o Reforço Simples com a mesma finalidade.

Umidade, tempo de estoque e empilhamento

A onda define a resistência da caixa no laboratório. No armazém, outros fatores reduzem essa resistência, e o comprador deve informá-los à cartonagem. O CETEA/ITAL publica fatores de correção usados no projeto de caixas. Tomando 65% de umidade relativa como referência (100%), a resistência à compressão da caixa fica em torno de 90% quando a umidade sobe para 75%, de 80% com umidade de 80% e de apenas 60% com umidade de 90%. O mesmo material aponta perdas com o tempo de estocagem e com o empilhamento cruzado ou desalinhado no palete.

Ou seja: uma caixa onda B que funciona num centro de distribuição seco pode não aguentar a mesma pilha numa câmara fria ou num galpão litorâneo. Nesses casos, a discussão sobre onda C ou BC precisa considerar o ambiente real, e o furo da alça, que já é um ponto de concentração de esforço, merece atenção dobrada.

Checklist para o pedido de compra

Antes de fechar com a cartonagem e com o fornecedor da alça, vale ter estas informações por escrito:

  1. Peso bruto da caixa cheia e se ela será levantada pela alça com frequência.
  2. Tipo de onda e parede (B, C, BC) e a espessura real da chapa medida no lote.
  3. Altura da pilha no palete, tempo médio de estoque e ambiente (seco, refrigerado, úmido).
  4. Posição e dimensões do furo da alça no desenho da faca, com tolerância de corte.
  5. Modelo de alça e necessidade de reforço, definidos com amostras na caixa real.
  6. Critério de aceite: ensaio de compressão da caixa e teste de levantamento pela alça.

Se você ainda está definindo o modelo da alça, o guia Como especificar a alça certa para caixa de papelão detalha os demais critérios de escolha.

Erros comuns ao trocar de onda

A troca de onda costuma acontecer em renegociação de preço ou quando a cartonagem sugere uma “equivalência”. Estes são os problemas que mais aparecem depois dela:

  • Trocar BC por C (ou C por B) para baratear a caixa sem refazer o teste com a alça. A parede fica mais fina, o encaixe muda e o furo passa a trabalhar no limite.
  • Mudar de fornecedor de chapa mantendo a mesma onda no papel, mas com espessura real diferente. Duas chapas “onda C” de fabricantes distintos podem variar, e a alça sente essa variação.
  • Aprovar a caixa vazia. A homologação precisa ser feita com o produto, no peso real, e com a alça aplicada do jeito que a linha vai aplicar.

Uma regra simples evita boa parte desses casos: qualquer mudança de onda, gramatura ou fornecedor de chapa dispara um novo teste de levantamento pela alça antes do lote de produção.

Teste a alça na sua caixa antes de comprar em escala

A G Pack fabrica alças plásticas e reforços para caixas de papelão desde 1995 e trabalha com certificação ISO 9001:2015. Se você está definindo a onda da caixa ou mudou de fornecedor de chapa, envie a medida da caixa, o tipo de papelão e o peso do produto. Nossa equipe indica o modelo de alça e, se necessário, o reforço, e combina o envio de amostras para teste na sua embalagem.

Prefere e-mail ou formulário? Acesse a página Fale Conosco.